O que são fibroses?

Se diagnosticadas precocemente, as chances de diminuição das fibroses aumentam

Atualizado em 08/08/2012 10:51

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Fibrose – palavra temida por quem faz cirurgia plástica, principalmente lipoaspiração. Lembrada e associada a resultados insatisfatórios, complicações ou seqüelas, afinal o que vem a ser a indesejada fibrose?

Na cadeia evolutiva, o ser humano perdeu a capacidade de regenerar tecidos, passando a cicatrizá-los. Apos um trauma ou dano a qualquer tecido (pele, músculo, osso, etc), o organismo humano não regenera, ou seja, não produz um tecido igual ao que foi lesado. Ele cicatriza – produz um tecido diferente ao original para restaurar o dano sofrido. É como se apos um buraco na rua fosse colocado piche e não asfalto, ficando uma cicatriz no local.

Sendo a cicatriz um tecido diferente do original, ela não tem a mesma elasticidade, maciez e textura, comportando-se diferentemente quando tracionada, submetida à tensão, etc. Por isso, cicatrizes podem doer em mudanças de tempo ou quando esticadas, pois não se adaptam igualmente ao tecido são e tem inervação e circulação também diferentes.

E que relação tem a fibrose com tudo isso?

A fibrose nada mais é do que a cicatriz interna. É um tecido predominantemente feito de colágeno, usado pelo organismo para cicatrizar lesões. Está presente em todos os pequenos buracos que a lipoaspiração faz na gordura, entre a pele solta e o músculo de qualquer cirurgia, etc. Se em pequena quantidade, não causa problemas, sendo comum uma sensação de repuxamento e endurecimento leve no local, principalmente nos três primeiros meses depois da cirurgia. Com o tempo, a fibrose se adelgaça e fica mais maleável, sendo cada vez menos sentida.

Por outro lado, se muito proeminente, a fibrose pode causar irregularidades, endurecimento importante, nodulações, retrações da pele e até dor. Não é vista nas primeiras duas semanas, mas passa a ser vista e sentida geralmente depois de 14 dias, podendo se agravar nos três primeiros meses. Entre 6 meses e um ano da cirurgia tende a suavizar, mas pode deixar seqüelas.

A parte mais importante para minimizar a fibrose, visto que ela é inevitável, é uma técnica cirúrgica pouco traumática. Quanto menor o dano, menor será a cicatriz. Por esta razão costuma usar apenas cânulas finas nas lipos e fazer a vibrolipoaspiração.

Drenagem linfática também é essencial em cirurgias com grandes descolamentos da pele, para minimizar o acumulo de liquido nos tecidos e nos espaços entre a pele e o músculo. Quanto mais liquido retido, maior será a cicatriz para tapar o espaço entre os tecidos, ou seja, maior a fibrose. O ultrassom associado à drenagem linfática também é fundamental para reduzir a fibrose, modulando-a e tornando-a mais delgada. Logicamente que não podemos esquecer a parte do paciente, a genética. Há pacientes com mais propensão à fibrose do que outros.

Mesmo se presente, uma fibrose nos estágios iniciais (14 a 21 dias da cirurgia) é muito mais facilmente tratada e resolvida do que a fibrose antiga, já endurecida e espessa. Quanto mais precocemente tratada, maior a chance de sucesso. A infusão de gás carbônico (CO2 terapia ou carboxiterapia) em fibroses abaixo da pele ajuda também na recuperação. Ao melhorar a circulação e estirar a fibrose, o gás carbônico proporciona uma reabsorção e laceamento da cicatriz.

Visto tudo isso, conclui-se que a fibrose, apesar de ser inevitável, pode ser muitas vezes modulada e, para tanto, o diagnóstico deve ser precoce, o que torna o acompanhamento pós-operatório fundamental.