Dicas de Mulher Dicas de Beleza

No poo e Low poo: conheça as técnicas indicadas para lavar os cabelos cacheados

A proposta é excluir o uso de xampu ou utilizá-lo com moderação

em 25/03/2014

Foto: Thinkstock

A maioria das mulheres que têm os cabelos cacheados já deve ter ouvido falar sobre Low poo e No poo, técnicas indicadas especialmente para a lavagem desse tipo de cabelo. Mas, no geral, muita gente ainda tem dúvida sobre o assunto e algumas pessoas desconhecem totalmente a proposta.

O No poo trata-se de uma técnica de lavagem dos cabelos que não utiliza xampu; já o Low poo, o utiliza moderadamente e com formulações suaves e mantém a hidratação dos fios com o condicionador e finalizador.

Isso porque, as adeptas do movimento acreditam que, dessa forma, durante a lavagem dos cabelos, não será removida a proteção lipídica natural do couro cabeludo e dos fios juntamente com as sujidades acumuladas no dia a dia.

Como surgiu a técnica e para quem é indicada?

A técnica começou a ser muito utilizada, primeiramente, pelas americanas e foi amplamente divulgada por meio do livro “Curly Girl”, escrito por Lorraine Massey.

A indicação da técnica especialmente para os cabelos cacheados se deve ao fato de eles já serem, de forma geral, mais ressecados e frágeis. Assim, a remoção da barreira lipídica natural causaria mais danos do que tratamento, já que os outros produtos – tais como condicionador, máscaras, entre outros – também não conseguiriam repor com eficácia esse conteúdo lipídico natural.

No caso dos cabelos lisos, finos e grossos, o óleo produzido na raiz rapidamente está em toda a extensão da fibra capilar, exatamente por isso, a consideração é que, nestes cabelos, o xampu não faria tanto mal, pois o condicionador conseguiria repor o sebo removido durante a lavagem.

O principal “culpado” pela condenação dos xampus é o lauril éter sulfato de sódio, presente em praticamente todos os produtos, e que limpa os fios removendo a sujeira e a oleosidade. Para os adeptos das técnicas No poo e Low poo, a substância ressaca demais os cabelos.

A diferença entre No Poo e Low Poo

No caso do No Poo, corta-se totalmente o uso do sulfato. Para isso, é necessário que se elimine também o uso de todos os produtos insolúveis em água que grudam nos fios de cabelo e precisam do sulfato para sua retirada, como silicones insolúveis, óleo mineral, parafina.

Para seguir o No poo, existem duas maneiras de lavar os fios: eliminar o xampu e, no seu lugar, utilizar receitas caseiras para limpeza dos cabelos; ou comprar produtos higienizadores que não contém o sulfato como surfactante.

Já o Low poo, admite o uso do sulfato “leve”, mas, esporadicamente. A recomendação é usar (somente) a cada 15 dias um produto com sulfato para retirar algum resíduo de substância insolúvel que foi utilizada nos fios.

A rotina do Low poo é válida especialmente para mulheres que colorem os fios com produtos que contêm insolúveis, usam kits reconstrutores ou máscaras que possam conter algum tipo de petrolato leve.

Além disso, como é um método menos “radical”, o Low poo é indicado para quem não consegue eliminar totalmente o xampu da sua rotina, como, por exemplo, pessoas que vivem em cidades quentes ou praticam exercícios físicos com regularidade, o que aumenta a oleosidade no couro cabeludo.

Produtos liberados e produtos que você deve evitar

Foto: Thinkstock

Se você está pensando em aderir à técnica No poo/Low poo, saiba quais produtos deve evitar, de acordo com informações do grupo do Facebook Amigas Cacheadas. No caso dos xampus, é indicado fugir dos que contenham Sodium Lauryl Sulfate (Lauril sulfato de sódio), Ammonium Laureth Sulfate (Lauil éter sulfato de amônio) e Sodium Laureth Sulfate(Lauril éter sulfato de sódio).

A técnica sugere o uso de produtos que contenham Disodium EDTA (EDTA dissódico), Citric Acid (ácido cítrico) ou extratos de plantas, além de opções que contenham Cocamidopropyl Betaine (Cocamidopropil betaína), Dodecyl Polyglucoside (Dodecilpoliglicosídeo).

Ainda de acordo com informações do grupo Amigas Cacheadas, no caso dos condicionadores, é aconselhado evitar o uso daqueles que contenham silicones insolúveis.

Os cabelos necessitam de emolientes, umectantes, proteínas e hidratantes, por isso, é recomendado procurar pelas seguintes substâncias nos rótulos dos produtos:

  • Emolientes: Shea Butter (manteiga de karité), óleos vegetais, olive oil (óleo de oliva) e óleos de castanhas.
  • Umectantes: Panthenol (D-Pantenol ou Pró-vitamina B5), Glycerin (Glicerina) e Sorbitol (Sorbitol).
  • Hidratantes: Aloe vera (Aloe vera ou Babosa), Aminoacids.
  • Proteínas: Wheat (Trigo) e Soy (Soja), Protein.

Neste link, produtos liberados para as técnicas No/Low Poo, você confere ainda uma lista completa com os produtos liberados para as técnicas Low poo e No poo.

Receitas caseiras

Foto: Thinkstock

O livro “Curly Girl” cita exemplos de receitas caseiras indicadas para as adeptas do No poo ou Low poo. Confira duas delas:

Esfoliação com açúcar mascavo: uma forma de limpar profundamente o couro cabeludo é esfoliando-o, usando uma mistura de uma colher de sopa de açúcar mascavo com três colheres de condicionador.

Limpeza com limão: basta misturar o suco de um limão à quantidade de condicionador que vai ser aplicada nos cabelos ao lavar. Segundo o livro, o limão é melhor do que qualquer xampu e ainda funciona como tônico.

Muitas adeptas da técnica declaram ainda ter trocado o xampu por bicarbonato de sódio, usado para limpar, e o condicionador por vinagre de maçã, para suavizar os fios.

Opinião profissional sobre Low Poo e No Poo

Foto: Thinkstock

Mas qual é a opinião dos profissionais a respeito das técnicas? Será que existem mesmo composições prejudiciais em xampus e condicionadores? Algumas substâncias, além de ressacar os fios, podem ser prejudicais à saúde? Lavar o cabelo com outros produtos, como vinagre e maisena, por exemplo, é um hábito positivo?

Fernanda Casagrande, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, destaca que a absorção sistêmica das substâncias usadas em xampus é praticamente nula. Logo, o seu potencial para causar doenças sistêmicas também. “Algumas pessoas, mais sensíveis, podem ter apenas alergias na pele e olhos”, diz.

“Na minha opinião, não há motivos para deixar de usar esses produtos. O xampu é importante para limpar o couro cabeludo, retirar o excesso de gordura e poluição”, explica a médica.

Abaixo, Fernanda Casagrande cita ainda as principais substâncias presentes nos xampus e que costumam causar dúvidas entre as pessoas:

Lauril: “presente em praticamente todos os xampus é uma substância que limpa os fios removendo a sujeira e a oleosidade, sem alterar a estrutura do cabelo. A quantidade presente nos xampus não confere riscos sistêmicos. Possui apenas risco de causar irritações”, diz a médica.

Corantes: “a maioria dos corantes tem componentes metálicos e o acúmulo deles no corpo poderia ser problemático. Porém, a absorção destes metais presentes nos xampus é nula, assim não confere riscos. O que pode causar é apenas alergias”, explica Fernanda.

Parabenos: é um tipo de conservante presente em cosméticos variados. “Estudos do periódico médico Journal of Aplied Toxicology apontaram os parabenos como potencialmente cancerígenos, por apresentarem propriedades estrogênicas – o que faz com que se comportem como o hormônio feminino. Porém, a quantidade para causar doenças é muito grande e os xampus não causam este risco. A substância, assim como seus derivados, estão presentes também nos desodorantes”, destaca a dermatologista.

Foto: Thinkstock

Mas é verdade que a quantidade de xampu utilizada deve ser moderada, pois, em excesso, pode ser prejudicial aos fios. “Vale lembrar que o xampu faz espuma somente quando adicionado água, logo, sua quantidade deve ser a mínima possível. O ideal seria diluí-lo com água no momento do uso e aplicá-lo nos cabelos bem molhados. Mas nunca deve ser colocada água dentro do frasco, pois, com os dias, o produto pode sofrer contaminação”, explica a dermatologista.

Ainda de acordo com Fernanda Casagrande, o vinagre não serve para lavar os cabelos e nunca deve ser colocado diretamente sobre os mesmos. “O que acontece é que, quando aplicado diluído em água, devido ao pH mais ácido, ele deixa as cutículas da fibra capilar fechadas, dando mais brilho e movimento aos fios. A proporção é de uma colher de sopa para um litro de água e pode ser feito uma vez por semana. Os fios podem ser lavados antes com xampu, condicionador e, depois, é utilizada essa solução, sem enxaguar”, diz.

Em relação à preocupação com o lauril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária já emitiu um parecer técnico afirmando que ele é seguro. Porém, é fato que surgem cada vez mais xampus sem a substância no mercado.

Dessa forma, fica a critério de cada pessoa escolher os produtos que oferecem melhores resultados aos seus cabelos. Mas antes de aderir a qualquer método radical, é interessante conversar com um profissional de sua confiança sobre o assunto.

Comentários
Dicas relacionadas