Ninguém muda ninguém

Para evitar as frustrações, é preciso aprender a aceitar as qualidades e defeitos dos outros e compreender que as pessoas só mudam por si só

Atualizado em 16/01/2012 9:43

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Recebo muitos emails diariamente de mulheres que não gostariam de se identificar ou contar suas histórias no site, mas que procuram desesperadamente uma ajuda. Muitas estão envolvidas em um relacionamento doente e as queixas são muitas: ele mente, some, trai, bebe, só saí com os amigos, usa drogas, etc. De fora a decisão parece muito fácil, pois é impossível manter uma relação com alguém que faça uma coisa dessas, mas a realidade é bem diferente.

Ao invés de terminarem o relacionamento essas mulheres se tornam detetives 24 horas, controlando e tendo crises de ciúmes. Ok. Ele pode te amar, mas esse fato não torna as mentiras dele “mais sinceras” ou a traição “menos dolorida”, o fato é que as pessoas são o que são com suas qualidades e defeitos.

Por isso não dá pra pegar um sapo e tentar vesti-lo de príncipe, o que quero dizer é que se você sonha com um homem romântico que mande flores e faça declarações de amor, não tente ou não se frustre em uma relação onde não há o romantismo.

As pessoas sempre dizem quem são e pra que vieram, um exemplo: um homem casado que procura um relacionamento extraconjugal vem com uma placa enorme dizendo que ele trai, e ai vem uma mulher e diz “mas, comigo será diferente”, isto é criamos expectativas demais em pessoas comuns que tem suas fraquezas. Precisamos aceitar ou rejeitar a limitação da outra pessoa. E mais ainda, precisamos entender que ninguém muda ninguém, as pessoas só mudam por si só e mesmo assim quando tem recursos para isso.

Vejam, quantos acidentes os noticiários mostram com motoristas embriagados, que o cigarro da câncer e que a gordura faz mal para o coração, mesmo assim alguém para de fazer essas coisas? Porque então temos a errada sensação de que nosso amor pode mudar tudo? Ou melhor, será que somos egoístas o suficiente para querer que a pessoa se torne exatamente aquilo que desejamos, realizando nossos desejos e suprindo nossas carências?

Proponho um exercício inverso, que a mudança se inicie em nós e não nos outros, o primeiro passo é o autoconhecimento, conhecer a si próprio, suas qualidades, seus defeitos, o que precisa ser reparado, e principalmente conhecer nosso valor e não aceitar menos do que merecemos.