Musicoterapia para a gestante e a família

Falar e cantar para o bebê estreita os laços de afetividade

Por Gisele Macedo Sá
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Foto: Thinkstock

Na gestação diversas possibilidades, cuidados e alegrias envolvem a mãe e a família do bebê. E é também neste momento que os laços de afetividade e amor começam a ser construídos. Foi com esse raciocínio que o músico Fernando de Oliveira Pereira resolveu estudar a dinâmica da musicoterapia durante a gravidez e criou assim o Método Bebê do Futuro, Musicoterapia para Gestantes, Famílias Grávidas e seus bebês.

Mas quem pensa que este processo inclui colocar CDs com óperas ou músicas calmas para o feto ouvir, está totalmente engando. O músico explica que “a voz é um dos primeiros sons que o bebê ouve e por isso a utilizamos para estreitar os laços familiares.” Segundo o musicoterapeuta, que estudou também obstetrícia, o aparelho auditivo do feto está quase completamente formado na 21ª semana de gestação e a partir daí ele já experimenta algumas sensações sonoras.

Dentre os sons que chegam ao bebê, que está imerso no líquido amniótico, estão alguns barulhos de órgãos da gestante, a pulsação do coração, os passos da mãe e até mesmo as articulações do esqueleto da gestante. Mas o som que se destaca para o bebê é o da voz humana. “O feto reconhece não a voz propriamente dita, mas o timbre, a entoação e a frequência que ela produz. Neste caso ele também não ouve palavras, mas a sintonia do que é dito ou cantado”, explica Pereira.

Por isso, nas sessões de musicoterapia realizadas na casa da família grávida, ele sugere que a gestante e também os familiares conversem com o bebê. “A mãe pode apenas conversar com ele, falar dos planos futuros. Os avós podem contar histórias da família e o pai pode cantarolar para o bebê”, exemplifica. Claro que não há uma ordem estabelecida de quem faz o que, mas é de suma importância estreitar os laços afetivos com toda a família, e não somente com a mãe.

E o especialista é enfático quanto à cantoria. “O feto ouve especialmente a voz cantada”, explica. Daí o estímulo a cantarolar enquanto espera a chegada do bebê. O repertório neste caso fica ao critério e gosto da família, mas nem que seja um ‘lá, lá, lá’ ou uma melodia entoada com a boca fechada chegarão aos ouvidos do bebê.

Depois que o bebê nascer, toda essa falação e cantoria irão servir para que ele se recorde das sensações sonoras intrauterinas que viveu. Na amamentação, por exemplo, a mãe pode cantar uma música que o feto ouviu bastante enquanto estava no seu ventre. “Ele responderá ao estímulo com o ritmo da sucção e o tempo da mamada. É só observar o bebê”, explica. Introduza nesta fase também as músicas que você cantou para seu bebê tocadas eletronicamente e estimule-o ainda mais.

A sessão de musicoterapia com Fernando de Oliveira Pereira inclui ainda uma palestra informativa sobre a audição do feto, a comunicação pré-natal e a massagem para bebês Shantala (técnica oriental estudada e difundida no mundo inteiro). Já dizia o ditado popular: “Quem canta, seus males espanta”.