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Mulheres que lutam

Reagir ou não reagir, eis a questão

em 09/08/2011

No seu dia a dia, você fica passiva diante dos acontecimentos ou você reage?

Sou praticante de Krav Maga, a arte de defesa pessoal israelense. E começar a me exercitar foi uma das melhores decisões gerenciais da minha vida. Mas de que forma aprender defesa pessoal me tornou uma executiva mais preparada?

A primeira coisa que descobri foi que mais que defesa pessoal, músculos e um bom condicionamento físico, o Krav Maga me mostrou uma nova visão de mundo.

A partir dos treinamentos, passei por um processo de evolução pessoal, onde minha motivação era lutar contra meus inimigos internos e superar minhas limitações. O primeiro passo é defender-se de si e das crenças e valores que impedem sua evolução.

No mundo corporativo, a maioria das pessoas pensam que não progridem em sua carreira por causa da perseguição do chefe, da empresa exploradora ou porque o mundo é um poço de injustiça.

Dificilmente vejo pessoas dizendo que não cresceram por não se tornarem boas o suficiente, porque não se esforçaram o bastante ou simplesmente porque não fizeram por merecer. Existe sempre um inimigo externo, mas a grande verdade é que a maiorias dos fatores limitantes estão dentro de nós.

Na defesa pessoal, não precisamos lutar uns contra os outros, o que importa é estarmos preparados caso a ameaça se torne real. A cada dia tentamos ser melhor e a superação é pessoal.

A partir do momento que comecei a observar minhas limitações e minhas consequentes superações físicas e mentais, me tornei mais competitiva. A evolução pessoal me fez acreditar que posso ir além, trazendo segurança e coragem para novos desafios. Sou treinada para agir com respostas simples, rápidas e objetivas. E isto está ao alcance de todos.

Gostaria de resumir as vantagens de profissionais praticarem defesa pessoal, a partir dos quatro pilares de preparação espiritual e mental:

Coragem

O medo em si não é um problema, é um instinto de alerta. O problema é o que fazemos diante dele. Não devemos viver paralisados. Existem ameaças que apesar de possíveis, nunca vão se concretizar e outras que se tornam reais quando menos esperamos, é inevitável.

Acontecendo ou não, a coragem vem da decisão de estar preparado, é uma atitude que envolve risco, iniciativa e força para enfrentar obstáculos.

Mas a coragem sem preparo é loucura. No Krav Maga, a coragem é a decisão de renunciar à passividade. Mas para ser corajoso, é necessário esforço e ousadia, porque se a ameaça se tornar real, você precisa estar preparado para agir.

No mundo empresarial, algumas carreiras morrem prematuramente porque as pessoas confundem coragem com “cara de pau”. Coragem é ter consciência de um obstáculo e tomar a decisão de superá-lo conhecendo as armas que você tem. Já a “cara de pau”, é a atitude inconsequente de dizer que você pode fazer algo sem ter nenhuma condição para isso.

Observe as pessoas que se arriscaram a fazer grandes coisas sem ter nada em suas mãos ou em seus currículos e ainda assim venceram. Elas foram corajosas, pois sabiam que tinham talento, otimismo, garra e a estratégia necessária para atingir seus objetivos. Agora pense naquele garoto prepotente que vendeu um discurso de ser capaz de assumir um cargo importante e foi demitido antes de completar seis meses; isso é “cara de pau”.

Portanto, o sucesso no mundo corporativo pode estar em saber diferenciar o que é “cara de pau” e o que verdadeiramente é coragem.

Equilibro Emocional

Este pilar é fundamental para controlar e ser capaz de tomar a melhor decisão diante de um perigo real. Conheço pessoas muito inteligentes, de alto QI, que simplesmente não conseguem decolar na sua carreira porque não tem equilíbrio emocional.

Estas pessoas vivem paralisadas. Elas têm diplomas, qualificação e potencial, mas não conseguem agir e reagir da forma certa no momento exato. Sem o equilíbrio emocional temos dificuldade de nos relacionar com os outros e ficamos vulneráveis diante de uma ameaça porque nossa razão fica bloqueada no momento em que mais precisamos.

É no momento da ameaça, seja profissional ou pessoal, que precisamos agir com equilíbrio e tranquilidade. E a tranquilidade só pode acontecer se você pensa, calcula e se prepara para se defender de forma eficaz, seja de um golpe de ordem pessoal ou corporativo.

Paciência

No Krav Maga, aprendi que o maior aliado do fracasso pessoal é o imediatismo. Vivemos na era do fast food e criamos uma falsa sensação de que tudo pode ficar pronto de imediato, dispensando o esforço e o amadurecimento.

Queremos tudo rápido demais, e esta velocidade pode fazer com que nos tornemos como frutas que colocamos no jornal para acelerar o amadurecimento e no final elas apodrecem e se tornam amargas sem ter passado pelo auge da plenitude e maturidade.

Precisamos mudar nossa postura em relação ao nosso tempo e à disciplina. É preciso disciplina e constância e saber que só podemos colher o que um dia foi plantado. O imediatismo pode matar carreiras, empresas e até pessoas. Precisamos analisar se estamos vivendo apenas do curto prazo.

Em tempo, ter constância não significa lentidão nem falta de iniciativa. Os golpes de defesa pessoal são rápidos e precisos, mas é preciso treinar arduamente e se qualificar sempre para que eles sejam executados com sucesso no tempo exato.

Respeito

Respeito é uma palavra tão falada, tão exigida, mas que confesso que aprendi seu real significado há pouco tempo. Já como Diretora Executiva, na minha avaliação de princípios, sempre recebia o menor desempenho no quesito respeito, e eu simplesmente não entendia o porquê.

Comecei a dar bom dia, boa tarde, aprimorei minhas boas maneiras e para minha surpresa, eu ainda continuava na lanterna. Até o dia que um amigo me deu um honesto feedback. Ele me disse que eu não honrava alguns companheiros e que muitas vezes passava por cima deles na frente de todos e isso era uma falta de respeito.

Para mim foi um choque! Nunca tive a intenção de fazer tal coisa, estava querendo apenas ser objetiva, mas não importa, se causei esta impressão, ele estava certo.

Quando a palavra honra entrou no cenário, me veio à mente que antes de começar e terminar um treino viramos em direção ao quadro do Imi Lichtenfeld (fundador do Krav Maga) e sempre fazemos uma reverência.

Comecei a pensar no por que deste ato. Eu só estou me desenvolvendo e aprendendo a me defender, porque um dia, um homem se dispôs a dedicar sua vida para desenvolver tal arte. É preciso honrar a história das pessoas que abriram o nosso caminho de alguma forma. Sejam eles os empreendedores, diretores, Serventes. De alguma forma, eles se dedicaram e abriram nosso caminho.

Nas empresas, nos esquecemos desta forma de respeito. Estamos sempre dispostos a criticar, denegrir e não honrar nossos líderes ou companheiros, e isso na maioria das vezes na tentativa de maquiar nossa incompetência e mediocridade. Isso é falta de respeito. É preciso saber diferenciar boas maneiras de respeito nas empresas e nos nossos relacionamentos.

Finalizo este artigo com as palavras do mestre Kobi, homem que recebeu a missão de introduzir o Krav Maga na América Latina e que serve de incentivo para todas as leitoras: “A sensação criada pela autoconfiança é libertadora, e decorre da depreensão de que todos nascem com as mesmas ferramentas, e, portanto, não é preciso submeter ou ser submetido para adquirir respeito”.

Monica Hauck

é colunista do Dicas de Mulher e especialista em Carreira

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