Hiperêmese gravídica é prejudicial para saúde da gestante

A complicação consiste no excesso de náuseas e vômitos durante a gravidez

Por Gisele Macedo Sá
hiperemese gravidica Hiperêmese gravídica é prejudicial para saúde da gestante

Foto: Thinkstock

Nos primeiros meses de gravidez a mulher pode apresentar alguns sintomas comuns da sua nova situação. O atraso da menstruação, sono em excesso, fome aumentada, enjoos e vômitos. É o corpo avisando que uma nova vida está sendo gerada no útero da mulher.

As náuseas e os vômitos costumam ocorrer a partir da sexta semana de gestação e persistem até a vigésima semana. Até aqui, tudo bem, pois este é um sintoma recorrente da gravidez. O problema é quando esses vômitos são intensos, prolongados e passam a prejudicar a saúde da mulher. Neste caso é possível que a gestante esteja sofrendo de hiperêmese gravídica.

Segundo a psicóloga, especialista em psicologia obstétrica, Elisangela Batista Secco, o excesso de náuseas e vômitos pode comprometer a saúde tanto da gestante quanto do bebê. “Ao colocar todo alimento que ingere para fora, a mulher fica com deficiências nutricionais e desidratada, o que acarreta em perda de peso, entre outras coisas”, explica a especialista. Outro sintoma e também consequência da hiperêmese gravídica é que a gestante não consegue nem ao menos fazer uso de medicamentos contra as náuseas, já que os vômitos não permitem que eles cheguem e permaneçam no estômago.

A hiperêmese não é uma alteração comum, mas atinge em torno de 0,5% a 2% de mulheres no período gestacional. Por isso a especialista alerta que é importante procurar orientação médica caso a gestante perceba intensidade de vômitos e alterações no peso dela.

O não tratamento da doença pode acarretar em complicações também para a saúde da criança. Os bebês podem nascer prematuramente e subnutridos.

As causas para o surgimento da hiperêmese gravídica podem ser tanto biológicas quanto de fundo psíquico. Os fatores biológicos estão relacionados ao nível elevado do hormônio gonadotrofina coriônica, hipertireoidismo e disfunção hepática.

“Já os fatores psicológicos estão relacionados ao sofrimento psíquico que o período da gravidez pode causar. Isso pode ter a ver com vivências estressantes na família ou no trabalho, abortos anteriores, medo do parto, conflitos psicossexuais e situações de abandono”, explica a psicóloga.

A hiperêmese gravídica pode tornar a experiência da gravidez um tanto quanto traumática para determinadas mulheres, pois, muitas vezes, por causa do excesso de náuseas e vômitos, a rotina da gestante é alterada e ela tem dificuldades para trabalhar e realizar tarefas corriqueiras do dia a dia.

O tratamento para a hiperêmese gravídica costuma ser interdisciplinar equilibrando o uso de medicamentos e psicoterapia. Em casos mais graves, as gestantes podem ser submetidas a internações para restaurar a hidratação do organismo.