Divórcio: qual a melhor maneira de contar para os filhos

Psicóloga explica que é necessário ser claro e objetivo e acolher a criança no seu sofrimento

Por Gisele Macedo Sá
Atualizado em 14/07/2012 17:34
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Foto: Thinkstock

O divórcio de um casal é um processo doloroso, cheio de sentimentos, preocupação com o futuro, mágoas e muitas coisas pendentes para se resolver. Mas no meio de todo esse furacão eles ainda têm que lidar com a difícil tarefa de contar para os filhos que o casamento acabou. E a preocupação de manter os filhos unidos, sentindo-se amados e não causar confusão da vida das crianças.

A psicóloga infantil comportamental, Jéssica Fogaça, explica que é importante os pais conversarem juntos com a criança, mas antes devem combinar entre si o que vão dizer ao filho. Esta atitude evita confusão para as crianças. “Os pais devem ser claros e objetivos, além de garantir à criança que a separação do casal não implica em se separar também dele”, alerta a especialista.

Procure contar ao seu filho aquilo que é importante e que ele será capaz de compreender, detalhes demais podem confundir o pequeno. A psicóloga diz que os pais devem dar abertura para a criança fazer perguntas e eles devem responder sem rodeios. “Dê espaço para seu filho expressar seu sofrimento, acolha-o, permita que ele chore, fique bravo ou triste”, explica.

Muitas vezes, depois do divórcio a criança pode se sentir abandonada, pois um dois pais não estará o tempo todo disponível. Mas esse sentimento deve passar com o tempo, especialmente se os pais conversarem com eles e mantiverem um acordo de visitas. “A criança passa a entender que não foi abandonada, apenas que os pais moram em casas separadas”, explica a psicóloga.

A psicóloga indica ainda que no começo os cuidados com a criança devem ser maiores, ou seja, exigem mais atenção dos pais. “Esteja sempre aberto para conversar com seus filhos, enfatize o amor e os sentimentos bons em relação a ele. E para o cônjuge que for morar longe, reserve mais tempo para as visitas e ligue ao longo do dia para conversar com a criança”, aconselha.

Em alguns casos, as crianças podem ficar sensibilizadas e os sinais comuns que elas irão apresentar serão: choros, pesadelos, apego excessivo a um dos pais, comportamentos violentos, isolamento, melancolia, falta de apetite e apatia. Se seu filho apresentar estes comportamentos converse com ele e procure ajuda especializada, pois é certo que ele está precisando.

Quando o amor faz mal

É comum que, atingido pela mágoa e pela dor, a mãe ou o pai, possam usar os filhos para obterem informações do antigo parceiro ou para atacá-lo, mas essa atitude só prejudica ainda mais o processo de entendimento do divórcio para a criança. “Ela não deve ser envolvida na situação dos adultos, uma vez que para a criança já é um grande sofrimento ver os pais separados. Preserve os sentimentos dela”, explica a psicóloga.

A especialista alerta que os pais devem preservar o bem estar dos filhos e para isso, procurem conversar sobre os sentimentos e comportamentos da criança juntos, em um único momento. Isto certamente deixará a criança mais segura e fortalecida.