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Disidrose: como tratar e prevenir esta doença de pele muito comum

Entenda tudo sobre os sintomas, tratamentos e medidas preventivas desse problema de pele que é mais comum do que se imagina

em 15/03/2017

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A Disidrose, ou Eczema Disidrosico, é uma doença crônica de pele. É um tipo bastante comum de eczema (alergia) que afeta as palmas das mãos, os dedos e as solas dos pés. Sua principal característica são pequenas bolhas de um a dois milímetros de largura e de base avermelhada. Mas, em casos mais severos, pode evoluir para rachaduras e fissuras. Nessas situações, é preciso tomar mais cuidado, já que o local fica vulnerável a infecções bacterianas.

Há controvérsias se a doença costuma ter maior incidência em mulheres ou se afeta igualmente ambos os sexos. Mas o que é claro é que a faixa etária mais suscetível ao desenvolvimento da doença está entre os 20 e os 40 anos de idade. As bolhas duram cerca de três semanas, depois do que costumas desaparecer. Porém, por ser uma doença crônica, ela volta a aparecer depois de algum tempo. Crises recorrentes podem resultar em espessamento da pele (hiperqueratose).

Segundo a dermatologista Izabella Maia, o diagnóstico da disidrose é clínico: a partir de uma história clínica detalhada, ou seja, descrição sobre o desenvolvimento da doença, é possível estabelecer as causas e saber se realmente se trata de disidrose. A dermatologista explica ainda que alguns exames podem ser pedidos, como o exame micológico direto, no caso de suspeita de infecção fúngica; o patch-test, em casos relacionados à dermatite de contato; e a biópsia, quando não for possível identificar o agente causal.

A dermatologista ainda afirma que a disidrose pode ser confundida com quadros de dermatite atópica, dermatite de contato alérgica, dermatite de contato por irritante primário, eczema numular, entre outras doenças dermatológicas, sendo possível a distinção a partir de um exame da pele.

A disidrose não tem cura, mas pode ser controlada de várias formas. A seguir, você conhece as causas, sintomas e tratamentos para a doença.

Quais são as causas da disidrose?

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A disidrose é causada por uma inflação na pele que cria pequenas bolhas, as quais estouram, deixando a pele com aparência escamosa. Cerca de metade das pessoas afetadas apresentam tendência a desenvolver alergias, tendo outros tipos de manifestações alérgicas em seu histórico, como dermatites ou mesmo bronquite.

Segundo Izabella Maia, as causas da disidrose não estão completamente estabelecidas. Apesar disso, ela pode ser classificada em dois tipos: disidrose idiopática ou verdadeira, quando não é possível identificar a origem da doença; e erupções disidrosiformes, quando a disidrose surge relacionada a outro problema, como a dermatite atópica, a dermatite de contato, a farmacodermia (reação alérgica a medicamentos), e dermatofítides (reações alérgicas a um fungo).

Entre outros desencadeadores da doença estão o estresse físico ou mental e a lavagem muito frequente das mãos. A doença é mais frequente durante o verão ou em mudanças bruscas de temperatura, e parece estar relacionada à produção exagerada de suor nas mãos e pés, ainda que o líquido presente dentro das bolhas não seja suor.

É importante salientar que a disidrose não é uma doença contagiosa: não existe perigo de transmissão, mesmo entrando em contato direto com a pele de outra pessoa.

Quais os sintomas da disidrose?

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Nas crises de disidrose, a pele fica inflamada. Isso faz com que os espaços criados pela inflamação entre as células da pele sejam preenchidos por fluído. É assim que surgem as pequenas bolhas características da doença. A dermatologista Izabella Maia nos ajudou a montar uma lista com as principais características e sintomas da doença:

  • Bolhas: pequenas saliências que, quando coçadas, podem evoluir para bolhas maiores e erupção do fluido existente dentro delas. Aparecem em grupos, nunca sozinhas. Há dois tipos de bolhas características da disidrose: bolhas pequenas salientes e bolhas opacas mais profundas, niveladas com a pele ou pouco elevadas. Esse segundo tipo não se rompe com facilidade.
  • Coceira: nem sempre há coceira, mas é possível que as bolhas cocem e fiquem doloridas. A coceira pode piorar com o contato com substâncias irritantes.
  • Fissuras (rachaduras): quando se coça as bolhas, elas podem se romper, liberando o líquido interno. Ao cicatrizarem, a pele pode ficar mais grossa e seca, podendo rachar. As rachaduras podem ser bastante dolorosas e demorar semanas ou meses para curar.
  • Queimação ou febre no local, dor e/ou inchaço: esses sintomas podem aparecer se houver um processo infeccioso no local. Nesse caso, procure um médico para tratar a infecção e voltar a controlar os sintomas.
  • Formigamento: em alguns casos, as crises de disidrose podem ser acompanhadas pelo inchaço dos linfonodos, o que pode causar sensação de formigamento no antebraço.

Como tratar?

Há diversos tratamentos para a disidrose, mas o tratamento mais comum é realizado com aplicação de medicamentos de uso tópico, como cremes ou loções. Eles são usados para combater os sintomas, uma vez que, como já foi dito, a doença não tem cura.

Segundo a dermatologista consultada, apenas em casos mais sérios é indicado o uso de medicações via oral. Além disso, no caso da presença de infecção secundária, indica-se o uso de antibióticos, e nos casos mais resistentes aos tratamentos convencionais, pode-se utilizar imunossupressores e fototerapia.

Tratamento tópico

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As pomadas e cremes usados para tratar a disidrose costumam ser aplicados duas vezes ao dia e ter vaselina, óleo mineral ou gordura vegetal em sua fórmula, para tentar manter a hidratação da pele. Alguns dos tipos de pomadas utilizadas são:

  • Cremes e pomadas à base de cortisona: aliviam os sintomas da disidrose e aceleram o processo de cicatrização. Para melhor absorção, a região afetada pode ser envolvida por um filme plástico por alguns minutos. Mas cuidado: o uso prolongado pode desgastar e ressecar a pele, além de abrir espaço para infecções secundárias.
  • Cremes à base de ureia: esfoliam e hidratam a pele, evitando o desenvolvimento da doença e aliviando sintomas.
  • Pomadas imunossupressoras: evitam o surgimento de bolhas, mas, como alteram o sistema imunológico, aumentam as chances de contrair uma infecção de pele.
  • Solução de permanganato de potássio ou acetato de alumínio: “secam” e neutralizam bolhas com muito fluido e tem efeito antisséptico, mas deve ser usada com precaução: sua aplicação pode ser dolorosa e resíduos deixados na pele podem causar queimadura.

Além disso, é importante o uso de um bom hidratante, já que a disidrose deixa a pele ressecada.

É importante lembrar que, com exceção do hidratante, todos esses medicamentos devem ser prescritos pelo seu médico, considerando o seu caso específico.

Tratamento via oral

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Como já foi dito, o tratamento via oral é indicado para casos um pouco mais graves da doença. Nessas situações, o médico pode indicar um anti-histamínico (antialérgico), para melhorar os sintomas de coceira e ardência; um corticoide, para diminuir a quantidade e tamanho das bolhas; ou um antibacteriano, em casos crônicos. O médico vai analisar cada caso para determinar qual é o medicamento mais adequado.

Mudança alimentar

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A dermatologista Izabella Maia explica que, em alguns casos, a disidrose pode surgir em decorrência de alergia a níquel. Nesse caso, ingerir alimentos com esse metal desencadeariam a doença. Se o caso for esse, é necessário uma mudança alimentar, evitando alimentos enlatados, alimentos ácidos, alimentos cozidos em panela de aço inoxidável, ostras, aspargos, feijão, cogumelos, cebolas, milho, espinafre, tomate, ervilha, trigo integral, pêra, chá, chocolate e fermento em pó.

Tratamentos para os casos mais graves

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Quando nenhum dos tratamentos anteriores se mostrou eficaz, o médico pode recomendar a fototerapia, com a exposição da ferida à luz ultravioleta, o que fortalece a pele, diminuindo a irritação. Em casos ainda mais graves, é possível que o médico faça recomendação de injeções de toxina botulínica (botox), diminuindo o funcionamento das glândulas de suor.

Durante o tratamento, é muito importante se atentar à higiene adequada da região afetada, que deve ser feita com água morna e sabão neutro. A pele deve ser bem seca após a limpeza, e hidratada no mínimo duas vezes por dia. É importante também evitar o contato com substâncias irritantes.

Tratamentos caseiros para disidrose

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Há algumas coisas que se pode fazer em casa para controlar a doença e evitar as crises. Confira algumas receitas e medidas caseiras para tratar a disidrose:

Gel de Aloe Vera

O gel caseiro ou industrializado de Aloe Vera (Babosa) pode ser aplicado na área afetada para reduzir a inflamação e a coceira, prevenir infecções bacterianas e acelerar o processo de cicatrização da pele.

Compressas de água fria

No caso das bolhas estarem muito irritadas e haver coceira intensa, aplicar compressas de água fria com gaze ou outro tecido limpo e de textura suave pode aliviar essa sensação.

Solução de vinagre branco

O vinagre branco atua no equilíbrio do pH da pele, evitando o crescimento de fungos. Para aplicá-lo, misture uma xícara de vinagre para cada litro de água e mergulhe os pés ou as mãos nessa mistura durante 15-20 minutos, duas vezes por dia.

Infusão do capim seco da camomila

A camomila possui várias substâncias anti-inflamatórias que podem reduzir reações alérgicas na pele. Para conseguir esse efeito, coloque capim seco de camomila em um copo com água fervente e deixe em infusão durante 15 minutos. Deixe esfriar e, com uma gaze limpa, aplique a infusão na região afetada. Aplique de duas a três vezes por dia.

Creme de ervilhas e iogurte

Bata no liquidificador um punhado de ervilhas frescas com a quantidade necessária de iogurte para que a mistura se torne um creme consistente. Passe esse creme na região afetada e deixe agindo durante 10 minutos. Retire na sequência com um algodão embebido em água morna.

Sumo de repolho

Com um rolo de macarrão, amasse várias folhas frescas de repolho, até que elas deixem sair um pouco de seu sumo. Recolha esse líquido e aplique com uma gaze na área afetada. Deixe durante 10 ou 15 minutos e depois lave as mãos ou os pés normalmente.

Creme ou manteiga de abacate

As vitaminas D e E presentes no abacate ajudam na formação do colágeno, estimulando a regeneração da pele. A manteiga de abacate pode ser comprada pronta em lojas que trabalham com óleos essenciais e manteigas vegetais, mas o creme de abacate pode ser feito em casa. Para isso, esmague bem um pouco da polpa do abacate e passe na região afetada, retirando após 15 minutos.

Chá de calêndula

A calêndula contem substâncias cicatrizantes e calmantes que ajudam a aliviar a coceira e a secar as bolhas causadas pela desidrose. Para conseguir usufruir de todos seus benefícios, é necessário prepará-la em forma de infusão.

Ingredientes

  • 2 colheres (de sopa) de flores calêndula
  • 200 mL de água

Modo de preparo

Ferva a água em uma panela e, em seguida, desligue o fogo e coloque as flores de calêndula na água, deixando repousar por 10 minutos. Na sequência, coe, deixe esfriar um pouco até que esteja morno e aplique em compressas limpas na região afetada, deixando de 5 a 10 minutos.

Chá de jasmim

As flores de jasmim são conhecidas por suas propriedades analgésicas, antioxidantes, antibacterianas, anti-inflamatórias, calmantes e digestivas. Na forma de chá, ainda auxilia a controlar o colesterol e previne o aparecimento de problemas cardíacos. Veja a seguir como prepará-lo:

Ingredientes

  • 1 litro de água
  • 1 colher (de sopa) de flores de jasmim

Modo de preparo

Ferva a água em uma panela e, em seguida, desligue o fogo e coloque as flores de jasmim. Deixar esfriar totalmente para só depois coar e aplicar na região afetada, com compressas ou gazes.

Remédios naturais podem ser bastante úteis no controle de diversas doenças, mas não substituem a consulta e a indicação de um médico.

Medidas preventivas

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Algumas atitudes podem auxiliar na prevenção dos surtos. Confira as medidas preventivas indicadas pela dermatologista Izabella Maia:

  • Lavar as mãos com água morna;
  • Secar bem as mãos e os pés;
  • Manter os pés limpos e secos;
  • Retirar os anéis antes de lavar as mãos;
  • Usar sabonetes sem perfume;
  • Usar hidratantes ao longo do dia;
  • Evitar coçar as bolhas;
  • Evitar o uso de produtos irritantes;
  • Dar preferência para o uso de sapatos de couro e meias que facilitem a evaporação do suor.

Não esqueça de consultar um dermatologista para descobrir a origem real da doença e receber um direcionamento correto em relação ao tratamento.

E, como já foi dito, apesar de a disidrose não ter cura, é possível controlar seus sintomas até que praticamente desapareçam. Basta seguir o tratamento médico indicado e adotar os cuidados preventivos e você conseguirá evitar todos os desconfortos causados por essa doença.

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