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Disciplina Positiva: eduque seu filho com amor e carinho

Ela propõe uma relação de parceria, afeto e compreensão criada entre pais e filhos, onde todas as partes são ouvidas

em 29/01/2015

Foto: Thinkstock

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Que pai e mãe não desejam dar uma ótima educação aos seus filhos?! Porém, na prática, nem sempre isso é fácil. Muitos pais ficam em dúvida sobre como ensinar bons valores às crianças, como incentivá-las a descobrirem suas capacidades, como orientá-las quando elas cometem algum erro etc.

Neste sentido, várias famílias buscam se informar sobre maneiras não tradicionais de criação e educação dos filhos. E entre elas está a Disciplina Positiva, que é um programa baseado no trabalho de Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, que tem como objetivo encorajar crianças e adolescentes a tornarem-se responsáveis e a serem respeitosos.

Bernadette Rodrigues, consultora educacional e corporativa, uma das tradutoras do livro “Disciplina Positiva” (que será lançado no início de março de 2015), responsável pela página Disciplina Positiva Brasil, explica que, baseada nos livros sobre Disciplina Positiva da Dra. Jane Nelsen e diversos co-autores (Lynn Lott, Cheryl Erwin, entre outros), a Disciplina Positiva ensina habilidades sociais e habilidades de vida para adultos, crianças e adolescentes.

“Pesquisas recentes atestam que as crianças são ‘programadas’ desde o nascimento para estabelecer conexões com os outros, e que crianças que se sentem conectadas à comunidade, família e escola tendem a ter menos comportamentos inadequados”, diz Bernadette.

De acordo com a consultora educacional, para que se tornem adultos bem-sucedidos e para que possam contribuir para o bem de sua comunidade, as crianças precisam desenvolver habilidades de vida. “Disciplina Positiva baseia-se no conceito de que disciplina deve ser ensinada e de que aprendemos com a disciplina”, diz.

Thiago Queiroz, criador do grupo Criação com Apego no Facebook, autor do blog Paizinho, Vírgula!, fez de sua experiência como pai a busca pelo desenvolvimento de uma nova paternagem e o oferecimento de apoio e amparo a todos que desejam dar uma criação mais afetuosa, sensível e respeitosa a seus filhos. Hoje, é certificado como líder pela organização Attachment Parenting International, e criador do primeiro grupo de apoio oficial no Brasil, a API Rio.

“Na verdade, a disciplina positiva não é um método, onde existe um conjunto de regras a serem seguidas para você criar um filho seguindo um determinado padrão. A disciplina positiva é mais um convite para enxergar a relação que os pais têm com seus filhos de uma maneira diferente: você a observa como uma relação de respeito e de mútuo aprendizado, onde você desenvolve conceitos extremamente importantes como empatia e compaixão para com o bebê”, destaca.

“Nós (eu e minha esposa) praticamos a Criação com Apego desde que nos entendemos por pais. E como a disciplina positiva faz parte da Criação com Apego, como um de seus princípios, tudo acaba funcionando muito bem, porque faz sentido dentro do contexto da criação respeitosa e afetuosa”, acrescenta Queiroz.

Disciplina positiva X disciplina tradicional

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Esta costuma ser uma das maiores dúvidas em torno do assunto: quais são as principais diferenças entre a Disciplina Positiva e os demais métodos de criação dos filhos?

Queiroz explica que a disciplina positiva se diferencia na disciplina tradicional porque ela emprega, antes de qualquer coisa, o respeito mútuo. “É uma relação de parceria, afeto e compreensão que é criada entre pais e filhos, onde todas as partes são ouvidas, reconhecidas e, o mais importante, que as necessidades de todos os membros da família são atendidas, dentro das possibilidades de cada integrante”, diz.

Ele explica que a disciplina positiva é mais que apenas não dar palmadas; “qualquer forma de agressão física ou verbal é abolida por um motivo muito simples: quando você agride seu filho, você está ensinando a ele que problemas são resolvidos com agressão”, diz.

Mas, além disso, a disciplina positiva também é contra castigos, punições, subornos e premiações, destaca Queiroz.”Pois nós buscamos ensinar aos nossos filhos o amor incondicional, que não depende de condições específicas para que ele seja amado. O senso do ‘fazer o bem’ é ensinado naturalmente, para que as crianças façam o bem sem esperar por algo em troca”,explica.

O uso do “não” discriminadamente também é algo a ser evitado, conforme conta Queiroz. “Porque numa relação de respeito com qualquer pessoa, nós nunca dizemos um simples e puro ‘não’, nós sempre explicamos nossas razões e oferecemos alternativas. Criar um lar com mais ‘sim’ do que ‘não’ é melhor para a família inteira”, destaca.

Critérios da disciplina positiva

Bernadette explica que existem 5 critérios da Disciplina Positiva:

1. Ajudar a criança a sentir conexão: sentir que pertence à família/escola e sentir-se importante.

2. Encorajar respeito mútuo: firmeza e gentileza ao mesmo tempo.

3. Funcionar em longo prazo: considerar o que a criança está pensando, sentindo, aprendendo e decidindo sobre si mesma e sobre seu meio social – e sobre o que fazer no futuro para sobreviver e para ser bem-sucedido.

4. Ensinar habilidades sociais e habilidades de vida: respeito, cuidado com os outros, resolução de problemas e cooperação.

5. Incentivar a criança a descobrir suas capacidades: encorajar o uso construtivo do poder pessoal e autonomia.

Ferramentas da disciplina positiva

É comum que surja a dúvida: por onde começar a utilizar a Disciplina Positiva? Pensando nisso, abaixo Bernadette apresenta algumas ferramentas:

  1. Conquiste as crianças em vez de usar seu poder para se impor a elas.
  2. Pare de “dizer” e comece a “perguntar” de um jeito que convide as crianças a participar da resolução de problemas.
  3. Lembre-se que o sentimento por trás do que você faz ou diz é mais importante do que o que você faz ou diz.
  4. Envolva as crianças na discussão das tarefas que precisam ser feitas e de um plano para realizá-las.
  5. Evite superproteção para que as crianças possam desenvolver uma crença em suas próprias habilidades.
  6. Ensine e pratique a crença de que erros são oportunidades maravilhosas para aprender.
  7. Certifique-se de que a mensagem de amor esteja clara.

Para quem a disciplina positiva é recomendada?

Foto: Thinkstock

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Para Thiago Queiroz, a disciplina positiva, bem como a Criação com Apego, é recomendada a todas as famílias, sem limitações. “Através deste novo olhar, cheio de empatia e compaixão, os pais percebem que os filhos possuem necessidades, da mesma maneira que todos nós, sejam estas físicas ou emocionais. Então, por exemplo, se uma criança apresenta um comportamento agressivo, isto acontece porque esta é a maneira que ela encontrou para comunicar uma necessidade não atendida. Assim que esta necessidade é atendida, a criança volta a se sentir amada e segura”, diz.

Onde procurar informações e apoio sobre a Disciplina Positiva?

Bernadette destaca que existem inúmeros livros sobre Disciplina Positiva, mas todos em inglês. Entre eles (escritos pela Dra Jane Nelsen e outros autores):

  • Positive Discipline
  • Positive Discipline for Teenagers
  • Positive Discipline in the classroom
  • Positive Discipline A- Z
  • Positive Discipline for Prsescholers

O site da associação é também em inglês: Positive Discipline.

Mas é possível encontrar informações na página Disciplina Positiva Brasil.

Queiroz destaca que, felizmente, hoje, há muitas iniciativas que trabalham no sentido de ajudar pais e mães a criarem seus filhos com mais respeito e afeto. Ele cita algumas:

  • A página Crescer Sem Violência, que é dedicada à disciplina positiva.
  • Grupos de discussão voltados à criação com apego e disciplina positiva.
  • Seu blog Paizinho, Vírgula!, que também é dedicado a esse propósito.

Dicas para quem pretende começar

Thiago Queiroz dá dicas fundamentais aos pais que desejam começar a aplicar Disciplina Positiva dentro de casa:

Ouça seu coração, confie nos seus instintos. “Muitos ditos ‘especialistas’ em filhos, através dos anos, acabaram minando a confiança que nós temos na nossa capacidade de criar nossos filhos”, diz.

Procure ajuda nos grupos de discussão e grupos de apoio, pois você não está sozinho. “Existem tantos outros pais e mães que estão, como você, buscando dar uma criação mais respeitosa para seus filhos. E vale a pena, pode acreditar”, diz.

Agora você conhece um pouco mais sobre a Disciplina Positiva e, se tiver interesse, pode se aprofundar no assunto através dos materiais/grupos de apoio citados.

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