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Consumo consciente desde criança

Educar a criança para que ela não viva em torno do consumismo exagerado é imprescindível desde cedo

Foto: Thinkstock

Hoje em dia, principalmente por conta das atuais discussões sobre a necessidade de desenvolvimento sustentável, muito se fala em consumo consciente. Mas o que isso significa?

Consumo consciente (ou consumo responsável) é, basicamente, equilibrar as satisfações pessoais com a Sustentabilidade da natureza. Mais ainda: adquirir produtos de procedência ética e de empresas comprometidas com a preservação do meio ambiente, com a sociedade e o bem-comum.

Mas consumir de forma consciente pode – e deve – ir muito além desse conceito. É saber o valor do nosso dinheiro e equilibrar a relação custo-benefício das nossas aquisições. É conhecermos nossos direitos enquanto consumidores. E exigi-los quando necessário.

Atualmente recebemos, a todo momento, uma grande quantidade de estímulos para o consumo. E muitas vezes nos dizendo implicitamente que é necessário “ter para ser feliz”. Assim, como formar crianças e jovens para serem consumidores conscientes nesse atual contexto em que vivemos?

É uma questão que pode parecer bem complexa num primeiro momento, mas educar uma criança nada mais é do que possibilitar a ela vivenciar exemplos de boas condutas (dentro de casa em primeiro lugar!), ter experiências a partir de sua própria prática: copiando, adaptando modelos ou inventando novos, por meio de tentativas e erros, e estimulá-la a refletir sobre ato e consequência de atitudes e situações.

Para quem tem filhos pequenos em casa, diversas situações do dia a dia podem auxiliar e muito na formação de seus valores. A criança é uma “esponjinha” e está aprendendo, com tudo e a todo momento, como ser, estar e viver num mundo de constantes descobertas.

Assim, uma dica bem bacana é permitir que as crianças participem da elaboração da lista de compras da casa. Isso mesmo! Pedir que ajudem a verificar o que é necessário comprar e o que ainda possuem em quantidade suficiente para uma próxima compra é uma maneira de começarem a entender, de forma lúdica e divertida, o valor não só do dinheiro, mas das coisas.

Essa atividade pode também auxiliar os pequenos em seu processo de alfabetização, mesmo com os menorzinhos.

Com crianças ainda não alfabetizadas, os pais podem brincar de formar palavras dos itens a serem inseridos na lista com apoio de alfabetos móveis (aqueles alfabetos de letras soltas feitos de madeira, por exemplo). Brincando, a criança começa desde cedo a conhecer os símbolos alfabéticos e estabelecer, gradualmente, a relação entre letra e som, palavra e som e compreender combinações entre vogais e consoantes.

Já com crianças que já sabem escrever pequenas palavras e frases, permita que elas mesmas façam essa lista, auxiliando-as sempre que necessário.

Aqui o mais importante não é o “se eu como pai ou mãe estou orientando certo ou errado”, ou “se estou ensinando diferente da professora dele(a)”, nem se tornar algo chato e similar a uma “lição de casa”, mas ser uma maneira divertida e descontraída de estimular seu processo de familiarização com o mundo das letras. E o principal: ser um momento de diversão em família.

No momento das compras, permitir que a criança ajude a buscar os produtos necessários e conheça a relação entre custo e benefício de cada um potencializa ainda mais esses conhecimentos (e até pode tornar para muitos o difícil momento das compras com as crianças mais tranquilo e divertido!).

Embora ainda crianças, é importantíssimo também explicar a elas que existem empresas que são “amigas da natureza” e outras que não são. Usam os recursos que a natureza nos oferece sem nenhuma responsabilidade: desperdiçam água, destroem florestas, além de fazer pessoas trabalharem muitas e muitas horas em lugares sem higiene e pra ganhar quase nada. E as empresas amigas da natureza ajudam as pessoas e se preocupam com o Planeta.

Atividades como essas ajudam e muito no desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático da criança ao compreenderem noções de quantidades, preços e tamanhos. Além disso, auxiliam no processo de formação de sua autoestima e no desenvolvimento de seu senso de responsabilidade e de vida em sociedade.

A infância é o momento em que o ser humano ainda não tem sua identidade totalmente formada. Por isso, esse é o momento ideal para que os pais possibilitem às crianças formar seus próprios hábitos de consumo. Perguntas como “você (ou nós) realmente precisa ter isso? Por quê?”, “isso é realmente bom pra você (ou para nós)?” feitas para os pequenos desde cedo – principalmente quando inicia a fase do “mãe, pai, mas todo mundo tem!” – auxilia na formação de capacidades altamente necessárias para o ser humano nos dias de hoje: o senso crítico, de reflexão e de ter sua própria personalidade.

A criança que convive num ambiente onde adultos têm responsabilidade no ato de consumir tem muito mais chances de vir a ser um adulto consciente não só no momento das compras, mas em todas as situações de sua vida.

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