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Conheça os hormônios usados nas pílulas anticoncepcionais

Há as chamadas pílulas combinadas e as pílulas orais somente de progestagênio. Entenda as principais diferenças entre elas

em 06/11/2014

Foto: Thinkstock

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Hoje em dia, grande parte das mulheres se utiliza de algum método contraceptivo a fim de evitar uma gravidez não planejada. Anel contraceptivo, implante subcutâneo, adesivo transdérmico e DIU são alguns dos métodos disponíveis, mas, certamente, o uso de pílulas é ainda o mais conhecido.

Apesar disso, pouca gente sabe que existem diferentes tipos de pílulas e que, desde que a primeira pílula foi lançada, até os dias atuais, muita coisa se modernizou no mundo da contracepção. Abaixo, César Eduardo Fernandes, diretor científico da Sogesp (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo) o explica todos os detalhes sobre o assunto.

Diferentes tipos de pílulas

César Eduardo Fernandes destaca que hoje há os chamados contraceptivos orais combinados (ou pílulas combinadas), que associam o estrogênio com o progestagênio (hormônio sintético derivado da progesterona), e as pílulas orais somente de progestagênio.

De acordo com Fernandes, ambos os tipos são eficazes na inibição da ovulação e, consequentemente, para evitar a gravidez. “A diferença fundamental entre eles é que o estrogênio tem o papel de controlar o ciclo menstrual, ou seja, nas pílulas orais combinadas há uma boa previsibilidade da menstruação, o que as pílulas apenas de progestagênio não oferecem”, diz.

Já as pílulas só de progestagênio são indicadas para as mulheres que têm contraindicação ao uso do estrogênio, como, por exemplo, as mulheres com histórico de tromboembolismo e problemas cardiovasculares, as fumantes com mais de 35 anos e as que estão amamentando.

Entenda melhor abaixo as diferenças entre os dois tipos de pílula:

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Pílula combinada

Frequência de uso: diária.

Utilização: método que combina dois hormônios (estrogênio e progestagênio). De ingestão oral diária, no mesmo horário. Existem vários tipos diferentes em quantidade de comprimidos, dosagens e tipos de hormônios.

Vantagens: bom controle de ciclo, graças ao estrogênio. Portanto, nas pílulas com esquema 21 compridos e 7 de pausa e, nas com 24 comprimidos e 4 de pausa, a mulher tem o sangramento previsível na pausa da cartela (período livre de hormônio), com menor escape durante a cartela. Nas pílulas modernas, esse sangramento comumente é mais curto e escasso.

Desvantagens: as pílulas combinadas não são indicadas para as mulheres que têm contraindicação ao uso do estrogênio, como, por exemplo, as mulheres com histórico de tromboembolismo e problemas cardiovasculares, as fumantes com mais de 35 anos e as que estão amamentando.

Pílula de progestagênio

Frequência de uso: diária.

Utilização: comprimido diário apenas com progestagênio, que deve ser tomado todos os dias, sempre no mesmo horário. Com esse tipo de pílula, não há intervalo entre as cartelas.

Vantagens: esse tipo de pílula é indicado para as mulheres que têm contraindicação ao uso do estrogênio, como, por exemplo, as mulheres com histórico de tromboembolismo e problemas cardiovasculares, as fumantes com mais de 35 anos e as que estão amamentando.

Desvantagens: esse tipo de pílula não apresenta bom controle de ciclo, podendo haver escapes durante a cartela.

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Hormônios utilizados nas pílulas só de progestagênio

Os progestagênios mais usados nas pílulas só com esse componente, de acordo Fernandes, são Desogestrel 75, Desogestrel e Noretisterona.

Abaixo você conhece algumas características desses progestagênios:

Desogestrel: possui leve efeito androgênico (aumento de características masculinas, como pelos, oleosidade da pele e aumento da libido).

Noretisterona: possui efeito androgênico.

Hormônios utilizados nas pílulas combinadas

De acordo com Fernandes, os progestagênios comumente usados na pílula combinada são:

Levonogestrel: possui moderado efeito androgênico.

Desogestrel: possui leve efeito androgênico.

Gestodeno: possui leve efeito androgênico. Também tem ação diurética.

Norgestimato: possui leve efeito androgênico.

Drospirenona: possui efeito antimineralocorticoide (evita a retenção hídrica).

Acetato de nomegestrol: possui efeito muito semelhante ao da progesterona natural.

“Recentemente, o progestagênio acetato de nomegestrol foi incorporado às pílulas chamadas naturais, já que esse progestagênio se assemelha ao produzido naturalmente pelo corpo da mulher”, destaca Fernandes.

Destacam-se como os estrogênicos usados na pílula combinada:

Etinilestradiol: estrogênio semissintético (possui forte efeito estrogênico, que pode causar alguns efeitos colaterais como aumento do peso e enjoos).

17-B Estradiol: estrogênio natural com menor efeito estrogênico em comparação ao etinilestradiol.

Fernandes explica que o estrogênio usado desde a invenção da pílula tem sido o Etinilestradiol. “Ele é um hormônio semi-sintético, ou seja, derivado do hormônio natural estradiol, mas que não existe livre na natureza nem no corpo da mulher”, diz.

“Recentemente, o estrogênio 17-B Estradiol foi incorporado às pílulas chamadas naturais, já que ele se assemelha ao produzido naturalmente pelo corpo da mulher”, acrescenta.

Como escolher uma boa pílula?

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Sabendo que existem diferentes tipos de pílulas é comum que surja a dúvida: o que levar em conta na hora da escolha?

Alguns pontos podem ser observados como, por exemplo: o Levonorgestrel, que foi uma dos primeiros progestagênios usados na composição das pílulas, tem ação androgênica, ou seja, parecida com hormônios masculinos. Assim, pode provocar maior oleosidade da pele, acne e aumento de pelos. Porém, pode ser uma boa opção para mulheres que reclamam da queda da libido com o uso de pílulas.

Outro exemplo é o caso do drospirenona, que evita a retenção hídrica e pode ser muito útil para aquelas mulheres que reclamam de inchaço pré-menstrual.

Mas, vale ressaltar, estes são apenas alguns exemplos, pois a escolha do contraceptivo deve sempre ser feita em conjunto com o médico.

“O profissional poderá avaliar os fatores que interferem na adoção do anticoncepcional, dando à paciente informações sobre eficácia, modo de ação, frequência e facilidade de uso, efeitos colaterais e via de administração. Depois dessa orientação, a mulher pode exercer seu direito de escolher o método contraceptivo de acordo com seu estilo de vida. Independentemente da escolha, ela deve se sentir segura e confiante com o método e seguir à risca as recomendações de uso da bula para que garanta a eficácia esperada”, finaliza Eduardo Fernandes, diretor científico da Sogesp.

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