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11 maneiras simples de estimular seu bebê a falar

O estímulo deve ocorrer de forma leve no dia a dia, através de conversas, músicas, leituras e interações

em 07/02/2017

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Um dos momentos mais esperados pelos pais, sem dúvidas, é assistir seu bebê começar a falar. Mas é claro que, para isso, é preciso paciência, afinal, não dá para “acelerar os passos”: é preciso respeitar o desenvolvimento da criança.

Nathália Sarkis, pediatra do Hospital Santa Lúcia, de Brasília/DF, e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, comenta que a aquisição e o desenvolvimento da linguagem na criança fazem parte de um conjunto de habilidades desenvolvidas nos primeiros anos de vida. “Dessa forma, excetuando-se alguns problemas de saúde, crianças normalmente iniciam a produção das primeiras palavras aos 12 meses e, aos 18 meses, são capazes de pronunciar, no mínimo, 6 palavras. Aos 2 anos, produzem frases compostas de 2 palavras e, aos 3 anos, sentenças mais complexas”, explica.

Bruna Brainer, fonoaudióloga da clínica Paraouvir Aparelhos Auditivos, de Brasília/DF, reforça que a criança, no primeiro ano de vida, já possui a capacidade de emitir balbucios com e sem significado. “Seu bebê vai aprender aos poucos a usar palavras para descrever o que vive, ouve, sente e pensa na medida em que se completam os saltos de desenvolvimento mental, emocional e comportamental. Os pesquisadores agora sabem que, muito antes de um bebê murmurar sua primeira palavra, ele aprende as regras da linguagem e percebe como os adultos a usam para se comunicar. Com um a dois anos, ele começará a formar frases com duas ou três palavras”, comenta.

Apesar de fazer parte do desenvolvimento natural da criança, para que ela continue desenvolvendo suas habilidades com a fala, é preciso estimulá-la. E isso pode (e deve) ser feito de diferentes maneiras. Abaixo você confere quais são as principais orientações das especialistas.

1. Conversar com o bebê ainda no ventre

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Bruna explica que as conversas entre mãe e bebê começam a ter ação desde o ventre materno. “A partir da 24ª semana gestacional, o bebê é capaz de ouvir/sentir os batimentos cardíacos e a voz da mãe”, diz.

2. Conversar com o bebê no dia a dia

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Bruna destaca que as conversas pós-nascimento dão ao bebê o ambiente propício ao aprendizado, como: “a possibilidade da imitação, da análise visual que os bebês fazem de ponto (onde posicionamos os articuladores – como lábio e língua – e do modo como falamos – com ou sem vibração de pregas vocais). Esta troca de turno entre nós falarmos e depois o bebê falar também é um sinal de aprendizagem diante da estimulação. Conversas simples do dia a dia no cuidado ao bebê podem enriquecer e determinar o desenvolvimento desta criança”, diz.

3. Nomear ações

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Nathália reforça que a conversa com o bebê deve ser feita de forma ativa e constante. “O cuidador deve expressar verbalmente as ações nas quais o lactente está inserido. Por exemplo, na hora da alimentação, descrever para a criança o que ela está comendo e com quais utensílios está fazendo isso”, diz.

Frases como “que delícia tomar este banho, hein?”, “agora você está deitadinho para dormir” também são exemplos. “Nomear as coisas do cotidiano da criança dará a ela acesso ao vocabulário que, a longo prazo, possibilitará a formação de frases cada dia mais complexas, bem pronunciadas e completas”, ressalta Bruna.

4. Associar palavras a movimentos rápidos

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A fonoaudióloga Bruna explica que a primeira parte do desenvolvimento da linguagem se dará pela repetição de palavras. “E as primeiras geralmente estão associadas com outras capacidades motoras, como dizer ‘sim’ e ‘não’ com movimento de cabeça, por exemplo”, diz.

Então, vale a pena apostar nisso no dia a dia: sempre que for dizer “não”, balançar negativamente a cabeça; e, sempre que for dizer “sim”, mexê-la para cima e para baixo, em sinal de positivo.

5. Nomear os objetos, partes do corpo e tudo mais

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Bruna ressalta que o estímulo para reforçar a fala está nas atividades do dia a dia. “Uma brincadeira, uma troca de fraldas ou um banho com significado pode ser rico em possibilidades entre a família e o bebê. Por exemplo: ‘vamos lavar seu PÉ!’, e mostrar para a criança onde está o pé… Isso provoca na criança a associação entre a palavra ‘pé’ e a parte do seu corpo”, exemplifica.

“Portanto, nomear os objetos, partes do corpo, imitar os sons dos animais são estímulos fundamentais no desenvolvimento da fala. Algumas pesquisas mostram que crianças com as quais os pais conversaram muito na primeira infância possuem um QI mais elevado”, comenta a fonoaudióloga.

Nathália reforça que é necessário que pais e/ou cuidadores dialoguem ativamente com a criança dentro de um contexto, descrevendo o que estão fazendo. “Como, por exemplo, dizer ‘a mamãe buscará o livro/brinquedo’ e, imediatamente após a fala, apontar o objeto, entregando-o à criança”, diz.

“Todas as vezes que verbalizamos as ações que estão sendo realizadas em conjunto com as crianças, ou quando associamos nomes aos objetos, contribuímos para a aquisição de novas palavras e para o desenvolvimento da linguagem”, destaca a pediatra.

6. Variar os tons de voz na hora de conversar

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O tom de voz com que os cuidadores falam com o bebê faz também a diferença. “Pais e/ou cuidadores devem atentar-se à entonação da voz ao conversarem com os bebês. Por meio da voz, bebês aprendem a se expressarem de forma adequada, conseguem identificar sentimentos e decodificar emoções”, destaca Nathália.

Bruna reforça que as emoções estão intrínsecas no tom da voz. “Os sentimentos, como alegria, raiva ou tristeza, são facilmente percebidos pela criança e, se este sentimento não gerar conforto, ele não será bem recebido. A forma com que uma pessoa fala com um bebê traz a sensação de carinho, porém, à medida que a criança amadurece, é necessário adequar a forma de falar”, diz.

7. Cantar para o bebê

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O cantar é muito positivo no desenvolvimento da linguagem e fala. “Esta ação possibilita o acesso ao ritmo, vocabulário e entonação, que fazem parte do processo de aquisição da linguagem. Além disso, as cantigas infantis estão repletas de significado: nomeações, movimentos, repetições e ritmo contagiante que é capaz de acessar outras vias cerebrais, melhorando assim a fixação deste conteúdo”, destaca a fonoaudióloga Bruna.

Nathália explica ainda que cantar para o bebê ou com o bebê estimula a sua atenção e memória, desenvolve a linguagem e, também, outras habilidades. “Músicas para bebês, normalmente, apresentam padrão repetitivo, ritmo mais lento e vocabulário simples e familiar, proporcionando identificação e melhor compreensão da linguagem”, diz a pediatra.

8. Ler histórias para o bebê

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Para Bruna, a leitura é um dos mais ricos momentos que podem ser oferecidos aos bebês. “Quando lemos a uma criança, oferecemos a ela a possibilidade de novas palavras, correta pronúncia e o acesso à imaginação, o que trará a ela uma experiência auditiva rica e, consequentemente, mais argumentos e ferramentas para falar. O desenvolvimento das memórias e inteligências cerebrais apoiam o desenvolvimento da fala e trazem o gosto pela leitura”, diz.

Nathália comenta que a leitura de livros infantis, por meio de imagens ou pequenos textos, estimula a imaginação e aumenta o vocabulário da criança.

“A leitura promove o desenvolvimento cognitivo, amplia o vocabulário, desperta a criatividade e a empatia, e contribui para o aumento do vínculo com pais e/ou cuidadores. A leitura, mesmo que por meio de imagens, e a contação de histórias, quando realizadas de forma lúdica e agradável, estimulam a descoberta de palavras e a aquisição da linguagem. Estudo realizado recentemente demonstra que crianças que ouvem histórias contadas por pais e/ou cuidadores apresentam maior índice de vocabulário aos três anos, quando comparadas a crianças que não receberam esse estímulo”, acrescenta a pediatra.

9. Utilizar-se de brincadeiras

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Criança aprende brincando, é fato! Nathália explica que brincadeiras prazerosas promovem a aquisição da linguagem, a expressão de diversos sentimentos, a descoberta de desejos e a socialização de experiências. “Há muitas maneiras de estimular a fala por meio de brincadeiras, como, por exemplo, imitar os sons que o bebê produz, de esconder e achar, de cantar etc.”, diz.

Bruna destaca que os primeiros momentos possíveis de diálogo estarão exatamente dentro das brincadeiras. “Todo novo vocabulário será usado como base para acesso aos novos aprendizados. Brincadeiras de nomeação, teatro, fantoches são exemplos de atividades lúdicas que auxiliarão na aquisição da fala. Todo estímulo é importante”, diz.

“Falar para a criança tem que ser algo que traga conforto e bem-estar, mas é preciso criar nelas a necessidade desta ação”, acrescenta a fonoaudióloga.

10. Estimular a convivência com outras crianças

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A interação e a socialização com outras crianças estimulam a fala dos bebês. “A convivência permite a imitação de sons, a aquisição de novas palavras e a repetição de outras”, diz Nathália.

Bruna comenta que a criança que convive com outras (que falam) entende no dia a dia como a fala facilita. “A criança deve sentir necessário falar para que realmente ela produza a vontade e desenvolva a fala. Oferecer tudo sem que haja fala ou tentativa de ser entendido, como somente apontar, gera um comportamento contrario à necessidade de falar”, diz.

“Falar pela criança, dar significado complexo a poucos sons ou a uma fala pouco articulada, gera um comodismo na criança que mantém o comportamento de não falar ou de falar errado. Nós devemos propiciar um ambiente com modelos corretos de fala e a necessidade dela para gerar na criança a curiosidade do aprendizado”, orienta a fonoaudióloga Bruna.

11. Utilizar-se de sinônimos

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Quando a criança estiver na fase de fazer perguntas, como, por exemplo, “o que é isso?” ou “qual é o nome disso?”, aproveite para dar mais de uma resposta, utilizando-se dos sinônimos sempre que possível: por exemplo, “isto é um carro ou um automóvel”.

Esse tipo de atitude faz com que a criança vá, aos poucos, enriquecendo seu vocabulário.

Porém, uma dica importantíssima é ter paciência e respeitar o tempo da criança – claro, sempre atenta em relação ao correto desenvolvimento dela, de acordo com as orientações do pediatra.

“Pais e pediatras devem ficar atentos à evolução da linguagem no primeiro ano de vida e posterior formação de frases no segundo. Atrasos ou ausência de linguagem podem ocorrer e nem sempre possuem a mesma origem. Portanto, o atendimento à criança que apresenta tais características deve ser realizado por profissional qualificado para um diagnóstico individualizado e uma melhor resolutividade”, destaca a pediatra Nathália.

Bruna reforça que o primeiro ano de vida da criança será o primeiro estágio para a criação de significado dos sons emitidos por ela. “Daí em diante, estes balbucios deverão assumir forma e significado. Crianças com problemas auditivos param de balbuciar por volta dos seis meses, o que pode ser um indício de necessidade de avaliação. Aos cinco anos, fisicamente, a criança tem todas as ferramentas para emissão de todos os fonemas, porém, existe uma ordem de aprendizagem que deve ser respeitada. O tempo de desenvolvimento de cada faixa etária deve ser acompanhado, por isso, ao sinal de atraso no desenvolvimento de fala da criança, quem a acompanha deve a encaminhar para avaliação auditiva e de linguagem, visto que o aprendizado da fala está diretamente relacionado à capacidade auditiva da criança… Ou seja, se ela escuta, ela imita, pronuncia e aprende”, finaliza a fonoaudióloga Bruna.

Agora você já sabe que é possível e necessário estimular a fala do bebê, e isso pode ser feito, basicamente, através da conversa diária, da música, da leitura e das brincadeiras… O importante também é que seja feito de forma leve, sempre respeitando o tempo da criança!

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