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Afinal, carboidrato à noite engorda?

Atualmente muitas dietas propõem a diminuição e até a exclusão deste nutriente

em 23/09/2014

Foto: Thinkstock

Você já deve ter ouvido por aí alguém afirmar que comer carboidrato à noite engorda. Muitas pessoas são adeptas das dietas que permitem comer arroz, pães e outros alimentos que são fontes de carboidratos até as 18 ou, no máximo, 19 horas.

No entanto, não são poucos os profissionais que defendem que esta não é a melhor maneira de emagrecer e que o carboidrato deve, sim, fazer parte das nossas refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). Por outro lado, têm surgido muitas dietas de emagrecimento com a proposta de diminuição e até exclusão desse nutriente.

O assunto realmente gera controvérsias e para definir qual, de fato, é a melhor solução – consumir ou não carboidratos à noite -, é fundamental entender o que são e como agem os carboidratos.

Os diferentes tipos de carboidratos

A nutricionista Marcela Frias, da Clínica Dicorp, explica que o carboidrato é muito importante, pois uma de suas principais tarefas é fornecer energia para o corpo realizar suas funções metabólicas.

A profissional acrescenta ainda que existem diferentes tipos de carboidratos. “Eles são classificados em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Os dois primeiros são conhecidos como carboidratos simples e os polissacarídeos, como carboidratos complexos”, diz.

Os carboidratos simples são rapidamente digeridos. “Isso faz com que os níveis de açúcar no sangue aumentem rapidamente, ocorrendo assim, a liberação da insulina que favorece uma absorção mais rápida de glicose. A insulina, por ser um hormônio que propicia o estoque das calorias em detrimento da queima, facilita o ganho e dificulta a perda de peso. Esse tipo de carboidrato está presente em doces, açúcares, mel, frutas e geleias”, explica Marcela.

Já os carboidratos complexos, possuem uma digestão mais lenta, sendo mais lentamente absorvidos pelo organismo, evitando, assim, os picos de glicemia. “Quando ricos em fibras ou em amido resistente, que desempenha um efeito semelhante ao das fibras, provocam a sensação de saciedade mais rapidamente, diminuem a absorção de gordura e açúcar da dieta e resultam em um maior controle da glicose no sangue. São eles arroz, pães e massas integrais, batatas, cereais, inhame, aipim, feijão, grão de bico, milho”, destaca a nutricionista.

O carboidrato é importante também na dieta de quem quer emagrecer?

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Camilla Coelho, nutricionista do Rio de Janeiro, método para perda de peso e reeducação alimentar baseado na dieta proteinada, destaca que, quando se fala em dieta para perda de peso, deve-se tomar bastante cuidado com a oferta de determinados nutrientes. “O plano alimentar deverá ser estruturado de maneira que o aporte de carboidrato, em especial, seja adequado ao objetivo da pessoa e ao seu nível de atividade física”, diz.

Apesar do seu claro papel no organismo, como fonte energética para atividades esportivas, Camilla destaca que há muitas vertentes de dietas de emagrecimento surgindo com a proposta de diminuição e até exclusão desse nutriente. “Sabendo que o carboidrato é a principal fonte de energia para nosso organismo, diminuir seu consumo faz com que nosso corpo busque energia em outras fontes alimentares, como as proteínas e as gorduras. Dessa maneira, dietas planejadas levando em conta uma restrição no consumo de carboidratos surgem com grande potencial de eficácia do tratamento de perda de peso”, explica a nutricionista.

Porém, ressalta a profissional, em dietas muito restritas em carboidratos, apesar da perda de peso se dar de uma forma mais rápida comparada a dietas hipocalóricas, essa taxa de emagrecimento é reduzida caso esse tipo de dieta seja levado em longo prazo. “Portanto, a melhor maneira de tornar eficaz e realmente garantir resultados é, após um período restrito, retornar com um plano alimentar que vise aumentar gradativamente a oferta de carboidratos novamente na dieta, de modo a submeter o indivíduo a uma reeducação alimentar e futura manutenção do peso perdido”, diz Camilla.

Carboidrato à noite

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Na opinião da nutricionista Marcela Frias, o carboidrato deve fazer parte do jantar, já que essa refeição também é muito importante. “O segredo é balancear, saber consumir a quantidade certa, a fim de evitar excessos, além de fazer as opções mais saudáveis, como, por exemplo, arroz ou massas integrais, quinoa, aveia, batata doce ou baroa, entre outras”, explica.

Para a nutricionista Camilla Coelho, o carboidrato não deve ser excluído totalmente da dieta, mas também não deve ser consumido em excesso. “Seu consumo além do necessário e sem um estímulo proporcional de gasto energético, inevitavelmente, levará ao ganho de peso”, diz.

Camilla explica que o carboidrato é um macronutriente, fonte preferencial de energia para o nosso organismo, que faz parte de estruturas celulares, músculos e de várias outras áreas do corpo. Por isso, ele normalmente está presente na maioria das nossas refeições.

A profissional lembra ainda que existem dois tipos de carboidratos. Os simples, feitos a partir da farinha branca e do açúcar refinado, que, quando ingeridos, entram no organismo e rapidamente são quebrados em moléculas de glicose. “Se você não se exercita, esse consumo de carboidratos simples inevitavelmente levará a um aumento dos estoques de gordura, aqueles pneuzinhos que tanto nos incomodam. Isso, independentemente do horário. No caso de se alimentar deste tipo de carboidrato à noite, o que ocorre é que ele provavelmente não irá desempenhar muitas funções naquele horário. O que significa que o corpo irá estocar aquela energia”, explica.

Por outro lado, ressalta a nutricionista Camilla, ingerindo quantidades de carboidratos pela manhã, você terá mais chances de utilizar a glicose do café da manhã, por completo ou parcialmente, logo após a alimentação. Assim é justificado o receio que muitas pessoas têm em consumir esse nutriente à noite.

“Já o outro tipo de carboidrato, o complexo, não passa por processo de refino e, portanto, suas fibras são preservadas. Dessa forma, ao ser consumido, seu processo digestivo é lentificado e a liberação de insulina não é tão requisitada, não tendo, também, a necessidade de estoque”, lembra Camilla.

Na opinião da nutricionista Camilla, para quem busca um melhor aproveitamento dos carboidratos de maneira a não atrapalhar sua dieta, uma recomendação adequada de ingestão fica em torno de 50% do valor calórico total da dieta. “Este nutriente deverá ser fornecido na forma de cereais integrais em sua maioria, como arroz, trigo, milho, aveia, ou tubérculos como batatas, mandioca, mandioquinha e, minimamente, com mel, frutas, massas, e pães”, diz.

“Em suma, a melhor forma para que ocorra perda de peso de forma saudável, e que esta possa ser efetiva, de modo que o peso não seja recuperado novamente, é adaptar o plano alimentar de acordo com as necessidades de cada organismo, adequando cada tipo de nutriente aos horários e níveis de atividade”, explica Camilla. “Não se esquecendo também de que preferencialmente proteínas deverão fazer parte de todas as refeições, sendo fracionadas ao longo do dia, inclusive antes de dormir”, acrescenta.

Vale destacar ainda que, para obter resultados confiáveis, a participação multiprofissional é fundamental. “Um nutricionista fornecerá informações e ferramentas para uma alimentação saudável e personalizada ao metabolismo e rotina da pessoa. Um profissional de educação física ajudará a criar uma rotina de exercícios físicos seguros e mais adequados ao seu objetivo”, finaliza a nutricionista Camilla Coelho.

Mais uma vez fica claro que dieta e atividade física se complementam, portanto devem estar sempre juntas na busca por mais qualidade de vida!

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